Nasci em Sintra. Quando abri os pulmões, já se respirava em liberdade, mas, para efeitos literários, posso afiançar, sem faltar à verdade, que ainda vivi no tempo da outra senhora. Quando abri os olhos, já havia livros em casa. Havia os do meu pai, que eram do Steinbeck, do Dostoiévski, do Hemingway, do Ferreira de Castro e do Saramago; e havia os de banda desenhada, que eram do Goscinny, do Hergé, do Edgar P. Jacobs, do Christin e do Moebius. Estudei design gráfico no Ar.Co e comecei uma carreira na publicidade onde fui director criativo de algumas das principais agências do mercado e amealhei várias distinções nacionais e internacionais. O gosto pela leitura e pela escrita, mas, sobretudo, a necessidade de perceber como se fazia, afinal, um daqueles livros como os que havia em casa, levaram-me a tentar. E a tentar. E a tentar de novo. Pés de Barro é o meu primeiro romance, com o qual venci o Prémio LeYa 2024.